Soror Madalena da Glória
Se por dar lustro aos pesares
Vossas lágrimas teimosas
Correm por margens de rosas,
Porque não cabem nos mares,
A subergir esses ares
Subiam rios crescendo,
E certo o naufrágio sendo,
A fineza deslustrais,
Porque podendo amar mais,
Deixareis de amar morrendo.
Deixai que o mar se dilate,
QUe...
A minha cega porfia
Buscou entre nada ao nada,
A minha ideia enganada
Nada achou, enquanto via;
Acabou-se em nada o dia,
Que nada trouxe consigo;
Com que a mim mesma me digo,
Como este nada te admira,
Se o que o mundo mais suspira
É nada, e nada o que sigo?
Como dá vida o que mata,
Como o que consome, alenta.
Já que morro, ingrata sorte,
Às mãos da tua porfia,
Deixa-me inquirir um dia
A causa da minha morte:
Se amor com impulso forte
Me rendeu, como me aparta
Do bem, que na alma retrata
Minha doce saudade,
Que em lágrimas persuade,
Como dá vida...
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