Virgínia Nuno Vilar
Visão subtil das horas dolorosas
que me apareces para meu contento,
que pedes tu em teu olhar sedento
de expressões várias e misteriosas?
Não tenho já no meu jardim mais rosas...
Queimadas foram por febril tormento...
Juncam agora o chão do Desalento...
Tão pobrezinhas... Tão...
Mimosas... Veludíneas... De luar!
Só meiguice, carinhos e brandura...
Arminho branco, leve, a esvoaçar
Nos gestos afagantes de ternura...
E quando as eguer para afugentar
o transe amargo de qualquer tortura
a Luz e a Graça veem-nas beijar...
Esvai-se a Forma... São Essência pura...
E...
I
Por certa estrada que eu tomei um dia
um caminhante que por mim passou
parando disse com sobranceria:
- Tu és daqui? - Eu respondi: - Não sou. -
Era já velho. Seu olhar fulgia.
Na mão um ceptro. Voz que me encantou...
Um régio manto o corpo lhe cobria
Sandálias gastas de quem muito...
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Poesia Portguesa no Feminino
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